segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bigode

    Onde estava meu irmão? Olho ao redor, mas nem sinal dele. O pátio já está quase vazio... Mais uma vez, ele se esqueceu de mim e foi embora sozinho. A maioria dos alunos já tinham ido embora e eu estava morrendo de fome. Peguei a bicicleta e saí. Era uma tarde demasiadamente quente para o outono, então depois de alguns minutos já estava muito cansado.
    Ao virar na minha rua, dois homens se aproximaram de mim. Olharam-me de um jeito estranho, e um deles perguntou:
    - Ei! O nome da sua mãe é Carla?
    Por um instante, congelei de medo. Sabia que se eu disesse o verdadeiro nome de minha mãe, eles usariam a informação contra mim e tentariam me sequestrar. Em um impulso, confirmei a falsa afirmação.
    - Ela pediu que você viesse comigo até um lugar... - Comecei a ficar muito nervoso, precisava ter uma atitude rápida. O meu prédio estava a apenas duas quadras.
    Vendo que eu acelerei e estava me afastando, um deles começou a correr atrás de mim e gritou:
    - Passa a bicicleta agora!
    Escutei um barulho peculiar, como nos filmes: o bandido saca o revólver e engatilha com aquele click característico. Nesse momento, estava na entrada do prédio e gritei para o porteiro:
     - Bigodeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, abre a porta! - Todos os moradores o chamavam amigavelmente de Bigode, justamente por ser o seu traço marcante. Ele abriu o portão da garagem e eu entrei.
    Desesperado, joguei a bicicleta contra o muro e corri para o elevador. Fiquei agachado, acalmando-me e esperando que os assaltantes fossem embora para sempre. Depois de um minuto ou dois, ouvi um som ensurdecedor: um tiro!
    Apertei o botão do meu andar e entrei esbaforido em casa:
    - Manheeeeeeee, mataram o Bigode! - Minha mãe, chocada, quis saber o que acontecera. Depois de contar a história, interfonei para a portaria.
    - Bigode, você está vivo? - Mas que pergunta idiota, é claro que ele não poderia responder depois te ser acertado por um tiro.
    - Acredito que sim. Por que a pergunta? - Ele falava como se nada tivesse acontecido.
    - Eu ouvi um disparo de revólver!
    - Foi só a lixeira que caiu.
    Como assim? Com certeza, não foi a minha imaginação! Olhei pela janela, e vi os dois homens, causadores de tantas emoções, andando em direção à avenida como se nada tivesse acontecido. Felizmente, Bigode estava a salvo. Desse dia em diante, comecei a prestar mais atenção quando passava pela portaria.

4 comentários:

  1. =P
    Acho que você devia dar os créditos pro personagem da história =P

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  2. Foi um conto bem divertido. E eu li rapidinho. Por um minuto,fiquei imaginando se era ficção ou realidade...

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  3. Passando pra te deixar PARABÉNS =)
    pelo Dia Internacional da Mulher!
    Beijo;)

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  4. Adorei o conto. Seu blog é muito lindo! Mando um beijo p vc e outro bem grande p sua mãe.Diga que estou com saudades.
    ElianaSoleLua

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