sexta-feira, 30 de março de 2012

Aula de Matemática

   Não haviam dias comuns para ele desde que a paixão irrevogavelmente tocara sua vida. Em todos os dias da semana podia encontrá-la, praticamente a qualquer momento. Ao acordar, cuidava do visual como se fosse para uma festa: passava perfume, penteava os cabelos rebeldes, ensaiava um sorriso deslumbrante. Em seu caminho para o colégio ia imaginando o reencontro... O que diriam um para o outro? O que sentiria ao tocá-la? Será que ela compartilharia seus segredos e desejos?
   Lembrava-se da primeira vez em que se viram. Não foi amor à primeira vista, como nos filmes. Na verdade, nos primeiros encontros, detestou-a com a mesma intensidade que a ama agora. Os anos se passaram e uma transformação ocorreu. Já conversara com ela sobre os motivos que poderiam ter provocado essa irreversível mudança. Talvez, a medida que a conheceu e foi descobrindo seus mistérios, tenha passado a admira-la e querê-la para si.
   A cada momento que passava com sua amada embrenhava-se ainda mais em suas incógnitas, revelando seus enigmas. Sentia-se atraído, como se mil forças agissem sobre ele.
   Hoje, ao chegar na escola, entrou na classe e sentou-se em seu lugar. Logo no começo das aulas a encontraria. Como se fosse a primeira vez, ansioso e tremulando levemente, abriu seu caderno e delirou com a visão obtida: a Matemática.

3 comentários:

  1. Acho que esse texto exemplifica bem todas as coisas que pensamos quando vamos encontrar com a pessoa que a gente ama =]

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  2. Eu ficava nervosa nas aulas de matemática. =/

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  3. Amei! Pena que não tenho essa paixão com a Matemática. =/

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