quinta-feira, 26 de abril de 2012

Frankenstein - Mary Shelley

   Mary Shelley teve uma vida tão trágica quanto sua obra. Nasceu em Londres, no dia 30 de agosto de 1797. Sua mãe, Mary Wollstonecraft - uma precursora do feminismo, morreu de hemorragia interna 10 dias após o nascimento da pequena Mary. Seu pai, William Godwin - teórico anarquista muito respeitado, casou-se novamente com uma mulher que atormentava a vida da mocinha. Com 15 anos, William a enviou para a casa de um amigo na Escócia. Ali, no meio de uma família culta e de espírito livre, Mary desabrochou. Quando voltou para Londres, conheceu um amigo de seu pai, o poeta Percy Shelley, casado com Harriet.
   Apaixonaram-se perdidamente e decidiram mudar-se para Genebra - Suíça, fugindo dos credores ingleses e de uma esposa arrasada. Por volta de 1817, morando em uma casa de campo em Genebra, com seu filho William, o casal reunia-se periodicamente com Lord Byron (poeta inglês do século XIX) e John Polidori (médico e escritor inglês). Em uma noite chuvosa, após lerem a coletânea alemã Phantasmagoriana, Byron propôs uma espécie de concurso: cada um deveria escrever um conto de terror, para ser apresentado aos colegas no dia seguinte. Mary, ao dormir, teve um sonho com uma criatura grotesca que assombrava a todos. Foi a partir disso que surgiu a ideia de escrever "Frankenstein".
   Somente Mary e Polidori levaram o concurso proposto a sério: surgiram as obras Frankenstein e O vampiro, a última ficando um pouco oculta pelo sucesso da primeira. A primeira edição, publicada em 1818 por uma editora londrina, não continha o nome da autora. Para a época, a autoria de um livro impactante como esse não poderia ser assinada por uma mulher. O século XIX é marcado pelas ideias iluministas (liberdade, razão), a transição do feudalismo para o capitalismo (burguesia em ascensão) e o intenso desenvolvimento tecnológico propiciado pela Revolução Industrial.
   Em 1818, nasceu Clara Everina. A família morou na Itália e, com apenas dois anos, Clara faleceu de disenteria, levando consigo William. Algum tempo depois, em Florença, nasceu Percy Florence. Em julho de 1822, Percy Shelley, marido de Mary, morreu em um acidente de barco, deixando-a com apenas 30 anos.
   Mary chegou a escrever outros livros, como O último homem e Valpergas, porém, não obteve sucesso. Morreu de câncer cerebral em 1º de fevereiro de 1851, com 53 anos, em Londres.


“Criador o criatura? Quem seria o verdadeiro 'monstro' desta história? Victor Frankenstein, obcecado por alcançar a glória de dominar a morte, cria em seu laboratório um ser que ele mesmo rejeita. A criatura, na ânsia de compreender a sua origem e a razão de sua tão profunda solidão, persegue seu criador até destruir-lhe a vida.”
    Viktor Frankenstein é um jovem curioso, apaixonado pela ciência. Em sua busca incessante pelo conhecimento, acaba criando um ser grotesco e horripilante, a sua criatura. Intensamente abalado e arrependido, é acometido por uma longa doença. Enquanto isso, o monstro, abandonado no mundo, começa a descobrir tudo sozinho. Tem sentimentos bons, desejando apenas uma família que o acolha, porém, a sociedade o rejeita, julgando-o somente por sua aparência. Incompreendido e revoltado, a criatura rebela-se contra seu criador. É a teoria do "Bom Selvagem" (o homem é naturalmente bom mas a sociedade o corrompe), amplamente difundida no Romantismo.
    Exige que Viktor crie uma mulher para ele, prometendo que viveriam para sempre em segredo. Viktor, portanto, decide fazer o que o monstro deseja, para ver-se livre do peso que o assombra. Mas, quando estava quase finalizando a fêmea, arrepende-se e a destrói, pensando nos filhos que o casal poderia gerar. A criatura, então, encontra-se sem perspectiva de futuro e jura fazer de tudo para tornar seu criador tão miserável e infeliz quanto ele. Assassina Clerval, melhor amigo de Viktor e também a sua noiva, Elizabeth (sua irmã de criação).
    Após perder tudo o que lhe era importante, Viktor empreende-se em uma perseguição à sua criatura, no final, resultando em sua própria morte. Frankenstein (criatura) arrepende-se por ter se deixado levar pelos sentimentos de revolta e incompreensão, resolvendo-do suicidar-se.

   O livro é extremamente dramático e voltado para os sentimentos e emoções, encaixando-se no egocentrismo. A obra denuncia a ambição sem limites e o mau uso da ciência, além do julgamento superficial. Também está presente uma crítica à posição das mulheres na sociedade da época, sempre submissas, bondosas, pacientes e puras.
   Está inserido na 2ª geração do Romantismo.


   Como antecessores e inspirações, podemos relacionar com o mito do Golem, uma das histórias mais difundidas da tradição judaica. Num período de perseguição aos judeus, um rabino teria criado um grande boneco de barro com forma humana. Após receber palavras mágicas, o boneco passa a mover-se com o intuito de proteger a nação judia de possíveis agressores.


Prometeu com o Fogo Divino.
Pintura de Heinrich Fueger (1817)
   Mary Shelley nomeou sua obra como Frankenstein ou o Prometeu Moderno. Prometeu, segundo a mitologia grega, é filho da deusa Hera e o gigante Eurimedon. Foi o criador da raça humana e teria concebido-a com argila e água. Responsável por conceder o fogo divino aos humanos e o poder de pensar, garantiu a supremacia da espécie sobre os demais seres vivos. O principal questionamento que podemos observar no mito do Prometeu é o direito não concedido de criar novos seres, que deveria estar reservado somente aos deuses (força superior). Na obra de Mary, também podemos notar a apropriação do direito divino cometida por Viktor Frankenstein.



   Frankenstein é a obra com maior número de adaptações cinematográficas. A imagem que temos hoje de uma criatura verde, com parafusos pelo corpo e cicatrizes enormes foi criada pelo cinema. No livro, a única descrição que temos é de que ele é grande, horrível e grotesco.



A primeira versão de Frankenstein para o cinema, lançada em 1910,  foi um fracasso de público.
Cartaz de lançamento do filme feito em 1931 pelos estúdios Universal, que iniciou a longa carreira de sucesso do personagem no cinema.






Bibliografia

• http://dicasfrankenstein.blogspot.com.br/2010/11/contexto-historico-e-movimento.html
• http://books.google.com.br/books/about/Frankenstein.html?id=JWFbsWY_8hoC&redir_esc=y
• http://www.suapesquisa.com/pesquisa/lord_byron.htm
• http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20100519021217AAWTauU
• http://www.ufmg.br/online/arquivos/003184.shtml
• http://www.infoescola.com/mitologia-grega/prometeu/
• http://noitescompandora.blogspot.com.br/2010/10/john-polidori.html
• http://viniciusrq.blogspot.com.br/2011/06/resumo-e-questoes-do-livro-frankestein.html
• http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/3385634
• http://www.infoescola.com/mitologia-grega/prometeu/
• http://twilightdestinys.forumeiros.com/t212-edward-maos-de-tesoura
• http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/2008/04/mary-shelley-frankenstein.html
• http://www.spectrumgothic.com.br/literatura/literatura_gotica.htm
• http://www.brasilescola.com/literatura/a-literatura-tradicao-gotica.htm
• http://inconscientecoletivo.net/lista-essencial-de-obras-de-literatura-gotica-e-de-horror-e-misterio/
• Imagens: Pesquisa do Google
• SHELLEY, Mary. Frankenstein ou o Prometeu Moderno. Editora Ática.

3 comentários:

  1. Incrível, saber mais sobre um personagem que tanto já nos assustou, gostei muito! A curiosoidade superou o medo! =)

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  2. Ótimo post.
    Eu Li esse livro quando eu estava no colegial, e gostei muito. Gosto dos clássicos.
    Adorei seu blog, estou te seguindo e curti no facebook
    me visita e comente lá

    http://lostgirlygirl.blogspot.com.br/

    bjos

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  3. É interessante saber que o único livro dela que fez sucesso foi o Frankenstein, será que esse livro roubou a atenção dos outros ou será que eles só eram ruins? Ou talvez ela não tenha sonhado antes pra fazer eles D=
    parabéns, ótima postagem =]

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